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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

10 países que estão esquentando (e muito) o planeta

Levantamento da Maplecroft divulgado na COP17 lista os países que mais emitem gases de efeito estufa, os vilões do aquecimento global. Juntos, eles respondem por 2/3 das emissões mundiais; Brasil aparece em sexto lugar

1 - CHINA
No topo da lista, a China registrou só no ano passado um aumento de 10,4% de suas emissões de CO2-equivalente (CO2e), medida que combina dióxido de carbono (CO2) com outros gases que absorvem e apreendem a radiação, como metano e óxido nitroso, ajudando a esquentar o planeta.

Em 2010, o gigante emergente produziu 9.441 megatoneladas de CO2-equivalente (CO2e). Segundo levantamento da firma de risco britânica Maplecroft, a maior parte das emissões do país vem da crescente demanda de energia, intensamente dependente dos combustíveis fósseis, especialmente carvão. Embora o uso de energia renovável no país esteja aumentando, ele ainda é ofuscado pela produção e consumo de energia suja.

2 - ESTADOS UNIDOS
Entre os países desenvolvidos, os EUA são os que mais poluem. Em 2010, foram emitidos 6.538 megatoneladas de CO2e. Segundo o levantamento, os EUA são os recorditas em taxas de emissões de CO2 per capita.

Apesar disso, o assunto não preocupa muito a população. Um estudo recente mostrou que o ceticismo sobre aquecimento global é forte por lá - apenas 53% dos americanos consideram o fenômeno uma ameaça séria. O país também está no bloco de nações resistentes a um acordo global legalmente vinculante para cortar as emissões de CO2, assim como a China.

3 - ÍNDIA
Segundo país mais populoso do mundo e o segundo mais poluidor entre os BRICs, a India fica em terceiro lugar no ranking de emissões globais de gases efeito estufa, produzindo 2.272 megatoneladas de CO2 equivalente.

O país consome grandes quantidades de combustíveis fósseis baratos, como carvão, que contribuem fortemente para as altas emissões. Além disso, a India produz outros vilões do aquecimento global, como o gás metano (CH4), oriundo da pecuária.

4 - RÚSSIA
Em quarto lugar, aparece a Rússia, com 1.963 megatoneladas de CO2 equivalente. Segundo o relatório, apesar das emissões russas terem declinado nos anos 1990, após o colapso da União Soviética que gerou uma baixa no crescimento industrial, o país ainda se mantém como um produtor significativo de gases efeito estufa. Entre, os BRICS, ele é o terceiro maior emissor.

5 - JAPÃO
No ranking da Maplecroft, o Japão aparece na quinta posição, com emissões globais de 1.203 megatoneladas de CO2 equivalente. Segundo o estudo, apesar do país empreender esforços para reduzir suas emissões de gases efeito estufa, há temores de que preocupações com a segurança energética, principalmente após o acidente nuclear de Fukushima, possa fazer com que o país recorra, no curto prazo, a fontes de combustíveis fósseis, levando a um aumento das emissões de carbono do país.

6 - BRASIL
Entre os BRICS, o Brasil é o que apresenta menores emissões, mas no mundo, somos o sexto país que mais jorra na atmosfera gases de efeito estufa, com 1.144 megatoneladas de CO2 equivalente. A maior parte disso tem origem na agropecuária e agricultura, que geram grandes quantidades de metano e óxido nitroso.

A conta não considera as emissões do desmatamento. O relatório destaca ainda que o Brasil está buscando reduzir seu impacto e que em recente "gesto político", concordou em reduzir suas emissões de GEE entre 38% e 42% para 2020 com base nos níveis atuais.

7 - ALEMANHA
Em sétimo lugar aparece a Alemanha, principal emissor de GEE na União Europeia e sua maior economia. O estudo destaca que o país vive um crescimento que impulsiona a industria da construção civil, atividade que acaba elevando a pegada de carbono.

A maior parte do CO2 vem da produção de energia e da queima de combustíveis fósseis. O documento destaca, no entanto, que a Alemnha conseguiu uma queda de 22% nas emissões de GEE entre 1990 e 2008, no cumprimento dos objetivos do Protocolo de Kioto.

8 - CANADÁ
Em oitava posição, o Canadá é outro que está aquecendo o planeta. O país viu suas emissões de GEE aumentarem de forma acentuada durante o período de 1990-2005, segundo um estudo da "Statistics Canada".

Apesar de representar apenas 0,5% da população mundial, o Canadá produz cerca de 2% das emissões globais. Na reunião da COP17, o país ameaçou sair do Protocolo de Quioto, que segundo seu ministro do meio ambiente, teria se tornado uma "coisa do passado".

9 - MÉXICO
Em nono lugar, surge o México, o segundo maior emissor de gases efeitos estufa na América Latina, depois do Brasil. Segundo o relatório, apesar das dificuldade do país em controlar e monitorar suas emissões, ele tem assumido uma atitude proativa para combater o aquecimento global. O México ratificou o Protocolo de Kioto, com a promessa de reduzir em 30% suas emissões em 2020, com base nos valores atuais, e também apoia a criação de um fundo climático.

10 - IRÃ
No Oriente Médio, o Irã é o país com as maiores emissões de GEE. Sem surpresas, a forte dependência de combustíveis fósseis e a grande produção de petróleo e gás são os vilões ambientais da região, mas também formam a base de sua economia. O preço a se pagar é alto. Segundo o estudo, o país está entre os mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, sendo alvo de secas e enchentes constantes.

Fonte: www.planetasustentavel.abril.com.br

Senado aprova novo Código Florestal; entenda as principais mudanças



Modificada, texto agora volta para a análise da Câmara e depois segue para a sanção de Dilma Rousseff.

O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira o texto-base do polêmico novo Código Florestal, colocando na reta final um processo que se arrasta há meses e vem causando discórdia entre políticos, ambientalistas, ruralistas e acadêmicos.

O texo foi aprovado no plenário por 59 votos contra 7. O relator, Jorge Viana (PT-AC), acatou 26 das 78 dezenas emendas ao texto-base, que ainda serão discutidas antes de serem votadas, algumas em separado.

O texto, modificado, volta agora para a análise da Câmara, que já havia aprovado em maio a versão do deputado e hoje ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Depois da votação dos deputados, ele seguirá para sanção presidencial.

Enquanto muitos senadores elogiaram o projeto organizado pelos relatores Luiz Henrique da Silveira (senador PMDB-SC) e Jorge Viana (PT-AC), ambientalistas organizaram protestos em Brasília, na tentativa de pressionar a presidente Dilma Rousseff a vetar a lei.

O novo Código Florestal, que determina como será a exploração das terras e a preservação das áreas verdes do país, está envolto de polêmicas. Entenda as principais delas:

O que é o Código Florestal?

Criado em 1965, o Código Florestal regulamenta a exploração da terra no Brasil, baseado no fato de que ela é bem de interesse comum a toda a população.

Ele estabelece parâmetros e limites para preservar a vegetação nativa e determina o tipo de compensação que deve ser feito por setores que usem matérias-primas, como reflorestamento, assim como as penas para responsáveis por desmate e outros crimes ambientais relacionados.

Sua elaboração durou mais de dois anos e foi feita por uma equipe de técnicos.

Por que ele precisa ser alterado?

Ambientalistas, ruralistas e cientistas concordam que ele precisa ser atualizado, para se adaptar à realidade brasileira e mundial e também porque foi modificado várias vezes por decreto e medidas provisórias.

Uma das urgências citadas pelos três grupos é a necessidade de incluir incentivos, benefícios e subsídios para quem preserva e recupera a mata, como acontece na maioria dos países que vem conseguindo avançar nessa questão ambiental.

Quais as novidades do novo Código Florestal?

Desde que foi apresentado pela primeira vez, o projeto de lei sofreu diversas modificações.

As principais diferenças entre o atual projeto e o código antigo dizem respeito:

À área de terra em que será permitido ou proibido o desmate: uma das principais alterações eleva de 20% ou 35% para até 50% a área de conservação obrigatória em determinados cenários. Ao tipo de cultivo permitido em áreas protegidas: no novo código, atividades enquadradas como de 'interesse social', de 'utilidade pública' e de 'baixo impacto' estão liberadas. Alguns setores, como o dos produtores de cacau, querem ser encaixados nesses parâmetros. À recomposição das Áreas de Preservação Permanente (APPs, leia mais abaixo): a autorização para compensar desmatamento ilegal (realizado antes de 2008) passa a ser válida também para os grandes produtores. À anistia: um novo grupo de agricultores pode ficar isento de recompor áreas preservadas que desmatarem se suas propriedades tiverem até quatro módulos fiscais (ler abaixo) Entre as emendas e destaques propostos pelos senadores e efetivamente acatados, quais os mais relevantes?

Um dos destaques determina que áreas desmatadas irregularmente até 2008, em geral, não podem ser consideradas consolidadas, como previa o texto original.

Isso quer dizer que esse tipo de desmatador não pode ser anistiado e deve recuperar as áreas de preservação desmatadas. O mesmo vale para os responsáveis por áreas que foram alvos de queimadas.

Qual a avaliação que ruralistas fazem do novo Código?

Durante o processo, líderes da bancada ruralista apresentaram restrições ao texto, como a defesa de que todas as pequenas propriedades pudessem receber os benefícios previstos no Código e não apenas aquelas que se encaixam no conceito de agricultura familiar, ou seja, no qual apenas membros da família trabalham.

Apesar de tais restrições, os representantes do setor comemoraram o conteúdo do atual texto, já que acreditam que o antigo Código era obsoleto por ter sido criado quando agricultura e pecuária tinham baixa produtividade.

Em entrevista à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente do CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), disse que a votação do novo Código foi um 'calvário' e que antiga lei prejudicava o país, atrapalhando o desenvolvimento da nação.

O que dizem ambientalistas e acadêmicos?

Boa parte das ONGs de defesa do meio ambiente e especialistas na área rebate a tese dos ruralistas, afirmando que as terras já exploradas são suficientes para dobrar a produção, bastando para isso aumentar a eficiência das lavouras e dos pastos por meio de tecnologia sustentável.

Para os ambientalistas, o novo Código abre brechas para aumentar o desmatamento e pode pôr em risco fenômenos naturais como o ciclo das chuvas e dos ventos, a proteção do solo, a polinização, o controle natural de pragas, a biodiversidade, entre outros. Tal desequilíbrio prejudicaria até mesmo a produção agropecuária.

Eles também acreditam que a lei não vai coibir desmatamento. Para Ricardo Ribeiro Rodrigo, pesquisador da Esalq e membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), um dos pontos mais graves é o perdão, em vários níveis, a quem desmatou ilegalmente no passado e a autorização de atividades agropecuárias ou de turismo em Áreas de Preservação Permamente. A permissão para que produtores reponham áreas desmatadas em outras regiões do bioma também é alvo de críticas.

O que são as APPs, um dos principais pontos de discórdia?

As chamadas Áreas de Preservação Permamente (APPs) são os terrenos mais vulneráveis em propriedades particulares rurais ou urbanas. Como têm uma maior probabilidade de serem palco de deslizamento, erosão ou enchente, devem ser protegidas.

É o caso das margens de rios e reservatórios, topos de morros, encostas em declive ou matas localizadas em leitos de rios e nascentes. A polêmica se dá porque o projeto flexibiliza a extensão e o uso dessas áreas, especialmente nas margens de rios já ocupadas.

Qual a diferença entre APP e Reserva Legal?

A Reserva Legal é o pedaço de terra dentro de cada propriedade rural - descontando a APP - que deveria manter a vegetação original para garantir a biodiversidade da área, protegendo sua fauna e flora. Sua extensão varia de acordo com a região do país: 80% do tamanho da propriedade na Amazônia, 35% no Cerrado nos Estados da Amazônia Legal e 20% no restante do território.

O que é um módulo fiscal?

É uma unidade de medida determinada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que varia de acordo com o estado. Ele pode medir de 5 a 110 hectares. Em Brasília, por exemplo, um módulo fiscal equivale a 20 hectares, enquanto no Acre é de 378 hectares.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Conheça 10 animais que podem desaparecer em breve no Brasil



O bugio-marrom (Alouatta guariba guariba) sofre com a venda ilegal como animal de estimação, o que pode levar ao desaparecimento da espécie

Você sabia que o Brasil abriga 13% de todas as espécies já descritas pela ciência? E que aproximadamente 40% das florestas tropicais do mundo estão aqui? E você sabia que mais de 600 animais estão ameaçados de extinção no país? Esses são dados do Ministério do Meio Ambiente que mostram o lado obscuro da vasta biodiversidade brasileira.

O estudo que mapeia a nossa fauna em risco de extinção assusta. A Lista Vermelha brasileira registra 627 espécies que podem deixar de existir nos próximos anos. São 394 animais terrestres e 233 aquáticos. Todas as informações estão reunidas no Livro Vermelho, elaborado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), segundo o qual, 64% dos animais em extinção estão na Mata Atlântica - resultado de desmatamentos, ocupação territorial pela população humana e poluição de rios e oceanos.

O que é ruim pode ficar pior: algumas espécies ainda ganham o carimbo CR ao lado de seus nomes, sigla em inglês para criticamente em perigo, ou criticamente ameaçado de extinção. No total, são 125 nesta situação.

Conheça agora 10 animais que estão criticamente em perigo e algumas medidas que podem evitar sua extinção nos próximos anos:

1 - Cuíca-de-colete (Caluromysiops irrupta)
A cuíca-de-colete pode morrer pela "preguiça". Com movimentos lentos e passando 70% do seu tempo em descanso, este mamífero tem sido alvo fácil para caças tornando-se uma das espécies ameaçadas de extinção no Brasil.

O animal vive no norte dos Estados do Maranhão e Ceará e se alimenta basicamente de frutas. Os machos são negros, com as extremidades dos membros, cauda e parte do dorso em tom ruivo e a lateral com pelos dourados. Já a coloração das fêmeas é, na maioria das vezes, pardo-amarelada, com uma tonalidade olivácea.

É o que explicam os biólogos Marcelo Marcelino de Oliveira e Juliana Gonçalves Ferreira, ambos do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros (CPB) que afirmam que em algumas localidades, como na serra da Ibiapaba (CE), parece existir uma caça preferencial por esses animais. No município de Cocal (PI), as últimas populações já estão condenadas a desaparecer muito em breve.

O que pode ser feito
Oliveira e Juliana salientam a importância da localização e do mapeamento das populações remanescentes da espécie, assim como a avaliação sobre a situação de ameaça em cada localidade. De acordo com eles, a fiscalização contra a caça é a principal estratégia de ação para a maioria das localidades, especialmente ao longo da serra da Ibiapaba (CE).

Em áreas muito fragmentadas, como as matas remanescentes no vale do rio Longá (PI), a criação de um conjunto de Unidades de Conservação é necessária para uma ação mais efetiva contra a caça, envolvendo principalmente as áreas de mata das fazendas desapropriadas para reforma agrária, tanto pelo governo federal quanto pelo estadual. Os pesquisadores afirmam que as populações que habitam a Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio Parnaíba (PI) e a Reserva Extrativista da Foz do Rio Parnaíba (MA) já estão protegidas.

2 - Baleia-azul (Balaenoptera musculus)
Com o título de maior animal do planeta, a baleia-azul pode desaparecer do Brasil justamente por seu tamanho. Esses mamíferos medem entre 25 m e 30 m - sendo as fêmeas maiores e mais pesadas do que os machos. Todo este tamanho proporcionava um alto rendimento à atividade comercial baleeira até os anos 60, quando passou a ser protegida pela Comissão Internacional Baleeira (CIB).

Apesar de a baleia não ser mais capturada nos dias de hoje, segundo os biólogos Eduardo Sehhci, do Laboratório de Mamíferos Marinhos (Morg) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), e Paulo Ott, do grupo de estudos de mamíferos aquáticos do Rio Grande do Sul (GEMARS), a grande caça do passado é a principal responsável por sua extinção. Eles ressaltam que só nos anos de 1930 e 1931, mais de 30 mil exemplares foram caçados no mundo. Além disso, as capturas acidentais em equipamentos de pesca, colisão com embarcações e degradação do hábitat (poluição química e sonora) são outros fatores que representam risco para este mamífero.

Os pesquisadores afirmam que o animal migra sazonalmente para regiões polares ou subpolares, onde se alimenta no verão e início do outono, indo para os trópicos e subtrópicos para a reprodução no inverno e na primavera. No Hemisfério Sul, a localização precisa das áreas reprodutivas da espécie é ainda desconhecida. Mas já houve registos de sua aparição no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e na Paraíba, onde dois exemplares foram capturados comercialmente.

O que pode ser feito
Os pesquisadores salientam que, por se tratar de uma espécie migratória, sua conservação depende de acordos e esforços de proteção nacionais e internacionais. Dentre elas, pode-se destacar a necessidade de avaliar, em nível global, o número de capturas acidentais em atividades pesqueiras; atividades sísmicas e extrativistas (gás natural e petróleo); colisões com embarcações; degradação do hábitat; estimativas de parâmetros reprodutivos e taxas de crescimento populacional e determinação de rotas migratórias e áreas de concentração.

3 - Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus)
O mico-leão-preto vive na Mata Atlântica e, em breve, pode desaparecer. Esta espécie de macaco está ameaçada devido à alteração do seu habitat natural, principalmente por desmatamentos. Os biólogos Claudio Padua e Cristiana Saddy, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), afirmam que a maior população da espécie ocorre no Morro do Diabo (SP). Esta Unidade de Conservação, gerenciada pelo Instituto Florestal de São Paulo (IF), abriga cerca de mil exemplares, que vivem em 37 mil hectares de floresta.

De acordo com os pesquisadores, este mamífero é considerado um fauni-frugívoro (que se alimenta de frutas), mas tem uma dieta influenciada pela sazonalidade de seu ambiente, que apresenta estações bem marcadas, utilizando os recursos alimentares de acordo com sua disponibilidade. São excelentes predadores, capturando aves e pequenos vertebrados. Com peso de cerca de 600g e atingindo a maturidade aos 18 meses de vida, o mico-leão-preto tem um período de gestação de cerca de 125 dias. Além disso, o gênero é considerado monógamo, e a reprodução ocorre sazonalmente.

O que está sendo feito
Um programa de conservação da espécie, chamado de Programa Integrado de Conservação do Mico-Leão-Preto, que inclui a criação de uma população de cativeiro, além do manejo genético e demográfico. Lá as principais resoluções para a espécie concentram-se em três tópicos básicos: a necessidade de manejar as pequenas populações isoladas como uma só, a fim de garantir sua sobrevivência; a expansão e criação de áreas protegidas para as espécies e melhor gerenciamento das já existentes; e o estabelecimento de programas com as comunidades locais, visando melhoria da qualidade de vida e ações de desenvolvimento sustentável.

4 - Bugio-marrom (Alouatta guariba guariba)
Pense duas vezes antes de comprar um bicho exótico para colocar de enfeite na sua casa. A fragmentação da Mata Atlântica, o desmatamento de grandes porções da cobertura vegetal nativa e, principalmente, o comércio ilegal do animal, que é vendido como bicho de estimação, podem resultar no desaparecimento do primata bugio-marrom da Mata Atlântica.

O biólogo André Hirsch, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) explica que a dieta deste mamífero é basicamente folívora, que se alimenta de folhas. Além disso, ele salienta que sua principal característica é o fato de as populações viverem em grupos de três a oito indivíduos. Hirsch afirma que a caça ilegal e os incêndios florestais, comuns na Mata Atlântica, têm resultado no desaparecimento do animal.

O que pode ser feito
De acordo com o pesquisador, as principais propostas para estratégias de conservação são estudos para o levantamento de possíveis populações remanescentes, principalmente no leste de Minas Gerais, vale do médio e baixo rio Jequitinhonha e centro-sul da Bahia. Com isso, deve ocorrer o desenvolvimento de um programa de criação em cativeiro, com cruzamento de indivíduos procedentes de localidades diferentes da área para aumentar a variabilidade genética.

5 - Rato-do-mato (Wilfredomys oenax)
Rato que não come queijo e nem vive escondido nas paredes da sua casa. Já viu? O Wilfredomys oenax é uma espécie encontrada em São Lourenço (RS), no Paraná e em São Paulo. O biólogo Rui Cerqueira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que este animal se alimenta somente de vegetais, folhas e frutos, e ainda mora na floresta. Grande roedor, esse mamífero pode sumir nos próximos anos.

Medindo cerca de 11 cm, com mais 2,5 cm de cauda, e pesando 1 kg, esta espécie está ameaçada principalmente por desmatamentos e destruição de seu habitat. Cerqueira afirma que ainda faltam mais estudos sobre este animal para que ele possa ser protegido de forma efetiva. Apesar de uma fêmea dar a luz até 10 ninhadas por ano, a possibilidade de extinção ainda é alta.

O que está sendo feito
Novos exemplares devem ser coletados para estudos citogenéticos e moleculares que permitam compreender melhor a espécie. O pesquisador afirma que a única informação ecológica é a sua ocorrência em florestas e um esforço deve ser feito nas poucas matas restantes para que se possa compreender melhor a biologia do animal. Segundo ele, no Uruguai um esforço de coleta de 4,4 mil armadilhas por noite resultou na captura de somente quatro exemplares. "Talvez um esforço maior de coleta permita a obtenção de mais exemplares e de estimativas de densidades populacionais. Só com essas informações uma estratégia efetiva de conservação é possível", diz.

6 - Lambari (Hyphessobrycon taurocephalus)
Ou esta espécie de peixe lambari já está extinta ou ela é muito tímida e anda se escondendo nas águas do rio Iguaçu (PR). Esta é a principal dúvida dos pesquisadores, que hoje se debruçam para achar e estudar a espécie em águas brasileiras. Este peixe é onívoro e seu tamanho médio é entre 10 e 15 cm de comprimento. O corpo é prateado, e as cores das nadadeiras variam, sendo mais comuns os tons de amarelo, vermelho e preto.

Hyphessobrycon taurocephalus é uma espécie pequena de lambari (até 5,5 cm de comprimento total). De acordo com os biólogos Luiz Fernando Duboc e Vinicius Abilhoa, do Museu de História Natural Capão da Imbuia (MHNCI), apesar do considerável esforço para conseguir amostras, nos últimos anos na bacia do rio Iguaçu, a espécie não foi reencontrada. Contudo, ainda restam muitas localidades na bacia do rio a serem adequadamente pesquisadas. Por conta disso, esta espécie tanto pode estar já extinta, como pode ocorrer em habitat muito específico.

A construção de barragens é um dos principais problemas enfrentados no rio Iguaçu, uma vez que resulta na perda de habitats. Além disso, as construções resultam em cursos de água menores que são prejudicais à espécie em função de volume reduzido de água e maior interface com o meio terrestre.

O que está sendo feito
Segundo os pesquisadores, atualmente os esforços são voltados para estudos sobre o conhecimento de aspectos biológicos e de distribuição atual da espécie, tendo em vista a incerteza quanto à sua real área de ocorrência.

7 - Cação-bico-doce (Galeorhinus galeus)
Caracterizado pelo pequeno tamanho da segunda nadadeira dorsal (bem menor que a primeira e semelhante ao da nadadeira anal) e pelos dentes fortemente serrilhados, este peixe vive na costa sudeste-sul do país e corre risco de extinção devido à pesca.


O cação-bico-doce (Galeorhinus galeus) pode chegar a até 1,95 m, mas é alvo da pesca industrial com redes de arrasto e de emalhe

As biólogas Carolus Vooren, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Rosangela Lessa, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), explicam que o cação-bico-doce tem um ciclo de vida longo, podendo chegar até os 33 anos de idade. Atingindo comprimento máximo de 175 cm (machos) e 195 cm (fêmeas), esta espécie apresenta uma longa história de exploração em diversos países, para aproveitamento da carne e do óleo. No Atlântico Sul Ocidental, existe uma população regional distribuída desde o Rio Grande do Sul até a costa norte da Patagônia. A população migra para a Plataforma Sul no inverno, quando é alvo da pesca industrial com redes de arrasto e de emalhe.

Relatório do grupo de especialistas em tubarões (SSG, 2004) aponta que esta espécie apresenta colapso de seus estoques no Pacífico Oriental e no Brasil, enquadrando-a como espécie globalmente ameaçada. A espécie ainda sofre com a degradação de seu habitat. Os declínios populacionais mais marcados têm ocorrido no Brasil e no Uruguai, onde a Captura por Unidade de Esforço (CPUE), que consiste na pesca que mede a quantidade de espécie de peixe encontrada em determinada região, caiu para níveis próximos de zero.

O que está sendo feito
As pesquisadoras afirmam que atualmente não há medidas de conservação ou manejo estabelecidas no Brasil. Mas a proibição da captura do cação-bico-doce é recomendada em nível regional, envolvendo Brasil, Uruguai e Argentina.

8 - Borboleta (Actinote zikani)
O Brasil pode ficar menos colorido caso se confirmem os riscos de extinção das borboletas. Esse inseto é o que mais possui espécies ameaçadas na lista dos CR (criticamente em perigo) no Livro Vermelho. Ao todo são 20 tipos de borboletas, todas sem nome popular específico. Uma delas é a Actinote zikani.

De acordo com os biólogos André Freitas e Keith Brown Jr, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Actinote zikani é uma espécie bastante ligada a áreas de topo. No Brasil, ela habita uma área estreita da Serra do Mar, entre o alto da serra de Cubatão e Salesópolis (SP). Com as asas em tom de preto e amarelo queimado, essa borboleta deve desaparecer nos próximos anos por causa da poluição.

Freitas e Brown Jr afirmam que a degradação do habitat é o principal problema, sendo a poluição do Parque Industrial de Cubatão (SP) o maior deles, já que pode ter sido o responsável pelo desaparecimento da colônia dessa borboleta do Alto da Serra paulista.

O que está sendo feito
Os pesquisadores afirmam que atualmente ocorre uma manutenção de toda a faixa de floresta para garantir um habitat favorável à espécie na Serra do Mar, em São Paulo.

9 - Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)
A plumagem da cabeça e do pescoço é azul-esverdeada, o anel perioftálmico (região da cabeça) é amarelo e o resto do corpo é azul. Com as cores da bandeira do Brasil, a arara-azul-de-lear corre o risco de sumir do nordeste da Bahia, onde habita. O motivo? A captura para comércio ilegal.

De acordo com Yara Barros, da Coordenação de Proteção de Espécies da Fauna (Cofau) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a espécie foi descoberta na natureza apenas em 1978, no nordeste da Bahia, ao sul do Raso da Catarina, onde vive até hoje. Estimativas atuais indicam que a população é de aproximadamente 500 exemplares. A principal ameaça à espécie é a captura para o comércio ilegal, que tem sido muito frequente, principalmente pela ausência de ações de fiscalização regulares.

Há ainda outra razão para seu possível desaparecimento. O principal alimento da arara-azul-de-lear é o coco da palmeira licuri (Syagrus coronata), que está escasso. A falta deste alimento é um dos motivos de sua possível extinção, já que se estima um consumo diário de 350 cocos por arara adulta. O que ocorre é que há pouca regeneração da palmeira do licuri, principalmente por causa das queimadas e derrubadas para plantio de roças. A diminuição na quantidade de licuri disponível faz com que as araras busquem alimento em plantações de milho, onde acabam sendo alvejadas pelos produtores.


A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) pode acabar extinta devido à captura para comércio ilegal e ao desaparecimento de suas fontes de alimentação (principalmente o coco da palmeira licuri)

O que está sendo feito
Instituições como o Instituto Chico Mendes (ICMBio) realizam ações protetivas, como o fortalecimento da legislação vigente de proteção da fauna, em especial aquela referente à proteção da espécie e seu habitat. Entre elas, incentivo a práticas agrícolas eficazes e de baixo impacto ambiental, ampliação da extensão de áreas protegidas dentro da área de ocorrência da espécie, fiscalização efetiva, pesquisa biológica, incluindo manejo de ninhos, busca por novas populações, monitoramento do status populacional, mapeamento, monitoramento e manejo das áreas de alimentação. Além disso, estão sendo desenvolvidas ações como o estabelecimento de novos centros de reprodução em cativeiro, que conta atualmente com 39 exemplares dispersos pelo Brasil, Qatar e Inglaterra. A estratégia do programa é aumentar a população desta ave em laboratórios.

10 - Pato mergulhão (Mergus octosetaceus)
Esta ave é uma das mais ameaçadas de extinção em toda região neotropical por causa da interferência do homem em seu habitat. Já extinta na Argentina e Paraguai, o Mergus octosetaceus ainda existe no Brasil, mas somente em quatro Estados: Paraná, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. Estima-se que existam menos de 250 aves no País.

De acordo com o biólogo Luís Fábio Silveira, da Universidade de São Paulo (USP), o pato-mergulhão é o único representante da Tribo Mergini em que o macho auxilia no cuidado com os filhotes. Alimenta-se principalmente de peixes, que pesca com o auxílio de seu bico serrilhado, em mergulhos feitos principalmente nos remansos. Silveira salienta que esta é uma espécie altamente exigente com relação à qualidade de seu habitat, necessitando de águas límpidas e não tolerando bem a presença humana. Segundo ele, este é o principal motivo que ameaça a vida dessas aves: não existe mais um habitat totalmente limpo.

O biólogo explica que as atividades de mineração, drenagem e agricultura foram desastrosas para a espécie. A construção de barragens, que altera todo o regime hidrológico dos rios, tem efeitos drásticos sobre estes animais, que não vive em lagos ou outros ambientes lênticos, onde a massa de água apresenta-se parada, sem correnteza. Isso foi o golpe final nas populações argentinas e paraguaias, e tal situação pode se repetir no Brasil, especialmente nas populações que ainda sobrevivem nas bacias dos rios Tocantins e Paraná.

O que está sendo feito
Apesar de sua raridade, só recentemente o pato-mergulhão foi objeto de iniciativas mais sérias com vistas à sua conservação. O Instituto Terra Brasilis conduz, desde 2001, um programa de pesquisas e educação ambiental na região do Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), onde vivem cerca de 40 casais da espécie. As principais estratégias para a conservação dessa ave referem-se à procura por novas populações e pesquisas sobre a sua história. São também importantes a criação de áreas protegidas nos locais onde a espécie ocorre, especialmente nos estados da Bahia e Tocantins. A ampliação dos limites do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) e a retomada dos limites do Parque Nacional da Serra da Canastra também são medidas importantes para a conservação desta espécie.

Fonte: Terra

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pecuária ainda impulsiona desmate da Amazônia, diz ambientalista



Apesar de todos os acordos entre ambientalistas e ruralistas, e iniciativas do judiciário que ocorreram nos últimos dois anos, o consumidor de carne bovina ainda está longe de evitar que o bife em seu prato seja associado ao desmatamento e outros problemas da Amazônia.

Uma reunião nesta quarta-feira (24), em Brasília, revelou que ainda há um longo caminho até o setor conseguir algum tipo de controle efetivo. Os problemas envolvem desde evitar que os rebanhos invadam áreas de floresta, e sejam um vetor do desmatamento, até questões sanitárias, como a qualidade da carne consumida.

O principal indicador de que há algo de errado entre as 220 milhões de cabeças de gado do país são os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses números apontam que existem oito milhões de couros a mais do que as carcaças registradas como abatidas. Uma quantidade 100% superior ao que era registrada em 2008.

“A grande dúvida é para onde foi essa carne. O que revela que foi vendida sem nenhum registro de procedência, e pior, ainda com fortes indícios de evasão fiscal”, diz Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra.

Outro problema foi o fracasso do sistema de rastreio dos bois, do governo federal. O sistema que deveria ser usado, o Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), é pouco acessado pelos produtores.

Apenas algumas empresas que exportam o utilizam. “Como não há exigência legal, poucos produtores têm a preocupação em participar. Para ter um controle real da cadeia produtiva seria necessária uma ação envolvendo vários ministérios, principalmente a Fazenda e Meio Ambiente, que é onde há mais fraudes”, diz Leonardo Sakamoto, diretor da organização Repórter Brasil.




“Em 2010 vários representantes dos movimentos sociais entregaram uma carta à Presidência da República para que esse sistema fosse criado, mas nunca houve uma resposta”, complementa Sakamoto.

Regularização
A pressão externa pode ser uma esperança. “A carne é um dos elementos mais importantes para a economia nacional, além de ser a nossa principal commodities de exportação. E a pressão do mercado por maior transparência no setor é cada vez maior, por isso decidimos nos envolver na questão”, afirma o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara dos Deputados. “A grande questão é compreender quais são as ações do governo necessárias para resolver a questão”.

Apesar do cenário desfavorável, ainda há bons exemplos. No Pará, o movimento Carne Legal – voltado para a conscientização do consumidor – aliado às ações coordenadas pelo Ministério Público Federal e o programa Municípios Verdes, conseguiu mudar o cenário no estado. Foram cadastrados dois milhões de hectares nos principais municípios responsáveis por desmatamento, como Paragominas e São Félix do Xingu.

Combata o desmatamento e outras ameaças no game do Globo Natureza: "Missão Bioma"

Programas de ajuste de conduta em frigoríficos e ações judiciais contra bancos que financiavam fazendas com desmatamento ilegal na Amazônia mudaram a realidade local. Apesar de o Estado ainda ser líder ranking do desmatamento segundo medições do Governo Federal e dados do Instituto Homem do Meio Ambiente (Imazon), divulgados no último dia 24, também mostram que o Pará foi o estado que mais apresentou decréscimo nas derrubadas no último mês, com uma queda de 51% na devastação.

“Acreditamos esse conjunto de medidas que apli camos há dois anos possa estar impulsionando essa mudança”, diz Daniel César Azeredo Avelino, procurador da república (MPF/PA). Porém a lentidão das mudanças ainda vai fazer o consumidor final ter que esperar um pouco mais para ter o seu churrasco livre da sombra do desmatamento.

“Acredito que em 15 anos a realidade vai ser muito diferente, e podemos ter até 100% da produção controlada e até certificada, como foi com o café“, diz Smeraldi, da Amigos da Terra. “A questão é que para controlar o desmatamento, e outros problemas, seria necessário que isso acontecesse em cinco anos”, complementa.

Mercado
Os representantes dos varejistas que lidam com o consumidor final também afirmam que o processo de mudança do perfil da pecuária no Brasil ainda está em seus estágios iniciais. “A cadeia toda - desde as fazendas até o supermercado – ainda está buscando caminhos. Por isso é impossível falar em prazos”, diz Paulo Pompilio, diretor de relações institucionais do Grupo Pão de Açúcar.

“O que podemos falar são de nossas práticas, onde não compramos de nenhuma fazenda ou frigorífico que tenha alguma ilegalidade”. O grupo também tem um programa que busca rastrear 100% da carne, onde é possível identificar por um código número de qual fazenda veio o bife que vai para o nosso prato, a partir de 27 fazendas certificadas. Porém, a expansão do programa em relação ao montante da carne que é vendida no mercado ainda pequeno.

“Não dá para falar em número ainda, mas mesmo assim, vemos que há uma grande receptiv idade do consumidor, o que é um indicador de que esse é um caminho positivo a se seguir e que existe a possibilidade de termos produtos sérios”.

Governo
O Globo Natureza procurou o Ministério da Agricultura para comentar as falhas apresentadas por ambientalistas e entidades do Sisbov, mas não houve retorno.

Fonte: g1.globo.com

Novo rio subterrâneo na Amazônia pode ser o maior do mundo



Pesquisadores descobriram um curso de água a 4 km de profundidade. Batizado de Hamza, o rio nasce nos Andes e deságua no Atlântico.

Indícios da existência de um rio subterrâneo, com a mesma extensão do Rio Amazonas, que estaria a 4 mil metros abaixo da maior bacia hidrográfica do mundo, foram divulgados neste mês em um estudo realizado por pesquisadores da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional (ON), no Rio de Janeiro.

O Rio Hamza nasce no Peru, na Cordilheira dos Andes, mesma região que o Rio Amazonas. “Essa linha de água permanece subterrânea desde sua nascente, só que não tão distante da superfície. Tanto que temos relatos de povoados daquele país, instalados na região de Cuzco, que utilizam este rio para agricultura. Eles sabem desse fluxo debaixo de terrenos áridos e por isso fazem escavações para poços ou mesmo plantações”, afirmou o pesquisador do pesquisador indiano Valiya Hamza do Observatório Nacional.

O fluxo da água deste rio segue na vertical, sendo drenado da superfície até dois mil metros de profundidade. Depois, próximo à região do Acre, o curso fica na horizontal e segue o percurso do Rio Amazonas, no sentido oeste para o leste, passando pelas bacias de Solimões, Amazonas e Marajó, até adentrar no Oceano.

“A água do Hamza segue até 150 km dentro do Atlântico e diminui os níveis de salinidade do mar. É possível identificar este fenômeno devido aos sedimentos que são encontrados na água, característicos de água doce, além da vida marinha existente, com peixes que não sobreviveriam em ambiente de água salgada”, disse.

Características
A descoberta é fruto do trabalho de doutorado de Elizabeth Pimentel, coordenado por Hamza. Ela indica que o rio teria 6 mil km de comprimento e entraria no Oceano Atlântico pela mesma foz, que vai do Amapá até o Pará. A descoberta foi feita a partir da análise de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980.

“A temperatura no solo é de 24 graus Celsius constantes. Entretanto, quando ocorre a entrada da água, há uma queda de até 5 graus Celsius. Foi a partir deste ponto que começamos a desenvolver nosso estudo. Este pode ser o maior rio subterrâneo do mundo”, afirma Hamza.

“Não é um aquífero, que é uma reserva de água sem movimentação. Nós percebemos movimentação de água, ainda que lenta, pelos sedimentos”, disse o pesquisador cujo sobrenome batizou o novo rio.

De uma ponta a outra
Apesar de ser um rio subterrâneo, sua vazão (quantidade de água jorrada por segundo) é maior que a do Rio São Francisco, que corta o Nordeste brasileiro. Enquanto o Hamza tem vazão de 3,1 mil m³/s, a do Rio São Francisco é 2,7 mil m³/s. Mas nenhuma das duas se compara a do rio Amazonas, com 133 mil m³/s.

“A velocidade de curso do Hamza é menor também, porque o fluxo de água tem que vencer as rochas existentes há quatro mil metros de profundidade. Enquanto o Amazonas corre a 2 metros por segundo, a velocidade do fluxo subterrâneo é de 100 metros por ano.

Outro número que chama atenção é a distância entre as margens do Hamza, que alcançam até 400 km de uma borda a outra, uma distância semelhante entre as cidades de São Paulo e o Rio de Janeiro.

“Vamos continuar nossa pesquisa, porque nossa base de dados precisa ser melhorada. A partir de setembro vamos buscar informações sobre a temperatura no interior terrestre em Manaus (AM) e em Rondônia. Assim vamos determinar a velocidade exata do curso da água”, complementa o pesquisador do Observatório Nacional

Fonte: g1.globo.com

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Os Cursos de Aprimoramento e Especialização da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp abrem inscrições para o Processo Seletivo 2012.



Serão oferecidos 55 cursos na área da Saúde, para não médicos.
Entre os cursos oferecidos estão os de Fisioterapia, Enfermagem,
Serviço Social, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Saúde Mental, Ciências Sociais em Saúde, Ouvidoria Hospitalar, Terapia Ocupacional, Pedagogia e outros.

Os cursos têm uma jornada semanal de 40 horas e duração de um ano, exceto o curso de Física Médica, que tem a duração de dois anos.

Veja no edital disponível na página da FCM em www.fcm.unicamp.br/fcm/ensino/aprimoramento a relação completa dos cursos oferecidos.

As inscrições para o Processo Seletivo 2012 custam R$ 100,00 e podem ser feitas a partir do dia 15 de agosto de 2011 e encerram-se no dia 15 de setembro de 2011. Para solicitar a redução da taxa, os interessados devem fazer a solicitação até o dia 5 de agosto de 2011 na página do Aprimoramento em www.fcm.unicamp.br/fcm/ensino/aprimoramento.


Informações sobre as inscrições podem ser obtidas pelo e-mail pap-fcm@fcm.unicamp.br.

Os Cursos de Aprimoramento da FCM /UNICAMP são também Cursos de Especialização
reconhecidos pelo Ministério da Educação, segundo a Resolução nº1, de 08 de junho de 2007

Segue abaixo a lista de cursos:

1. Administração em Unidades de Alimentação Hospitalar
2. Aprimoramento em Laboratório Clínico
3. Aprimoramento em Terapia Nutricional para Nutricionistas
4. Aprimoramento em Lípides
5. Atendimento à Saúde da Mulher
6. Atendimento ao Acidentado de Trabalho
7. Atendimento ao Paciente com Tuberculose
8. Atendimento ao Paciente Portador do Vírus HIV
9. Ciências Sociais em Saúde
10. Desenvolvimento Infantil: Linguagem e Surdez
11. Diagnóstico Microbiológico e Imunológico de Micoses Endêmicas e Oportunistas
12. Enfermagem em Oncologia e Tratamento Antineoplásico
13. Física Médica Aplicada à Radioterapia
14. Fisioterapia Aplicada à Ortopedia e Traumatologia
15. Fisioterapia em Neurologia Infantil
16. Fisioterapia em Pediatria
17. Fisioterapia nas Disfunções Cárdio-Respiratórias
18. Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva
19. Fonoaudiologia e Saúde Auditiva
20. Fonoaudiologia em Neurologia Infantil
21. Fonoaudiologia na Área de Surdez
22. Fonoaudiologia Pediátrica
23. Genética Molecular e Citogenética
24. Hemoterapia
25. Microbiologia e Parasitologia Clínica Aplicada à Atenção Primária à Saúde
26. Microbiologia e Parasitologia Clínica Aplicada à Atenção Secundária
e Terciária à Saúde
27. Nutrição em Doenças Crônicas em Atendimento Ambulatorial
28. Nutrição em Hematologia e Oncologia
29. Nutrição em Pediatria
30. Nutrição Hospitalar
31. Nutrição no Sistema Digestório
32. Ouvidoria Hospitalar
33. Patologia Clínica
34. Planejamento e Administração de Serviços de Saúde
35. Práticas e Políticas Sociais na Área da Saúde e Reabilitação
36. Psicologia Clínica em Neurologia Infantil
37. Psicologia Clínica na Saúde Reprodutiva da Mulher
38. Psicologia do Desenvolvimento e Deficiência
39. Psicologia do Desenvolvimento: Atendimento à Crianças e Adolescentes
40. Psico-Oncologia
41. Psicopedagogia Aplicada à Neurologia Infantil
42. Reabilitação em Atividades de Vida Diária
43. Reabilitação em Saúde Ocular
44. Saúde Mental
45. Serviço Social e Saúde Mental
46. Serviço Social em Incapacidades Neurológicas: Prevenção e Assistência
47. Serviço Social em Oncologia
48. Serviço Social em Pediatria
49. Serviço Social, Família e Reabilitação na Área da Saúde
50. Serviço Social, Saúde e Envelhecimento
51. Serviço Social, Saúde e Violência
52. Surdez: Desenvolvimento e Inclusão
53. Terapia Ocupacional e Reabilitação
54. Toxicologia Analítica
55. Toxicologia para Enfermeiros

Enviado por: Msc. Carolina Rodrigues Lincoln-de-Carvalho

sábado, 23 de julho de 2011

O fim está proximo!




Conhece São Francisco? Nunca foi a Tóquio ou Veneza? Então aproveite as férias escolares e faça as malas já. Nas próximas décadas, vários cartões-postais famosos correm o sério risco de desaparecer, devastados por vulcões, terremotos e outras catástrofes

CIDADE MARAVILHOSA SUBMARINA
Rio de Janeiro pode perder suas praias com a elevação do nível do mar

Estimativas científicas preveem que, ao longo dos próximos 100 anos, o nível dos oceanos deve subir, em média, 1,60 m. No Rio de Janeiro, a situação pode ser pior. Só na década passada, a estação de medição de Macaé, a 180 km da capital, registrou um aumento de 15 cm (enquanto a média mundial foi 17 cm, mas ao longo de todo o século 20!). O Ministério do Meio Ambiente já considera a região uma das mais frágeis do litoral brasileiro. O urbanista britânico Gordon McGranahan, do International Institute for Environment and Development, concorda. "O Rio tem uma grande faixa de terras em níveis baixos e por isso apresenta altíssimo risco. No pior cenário, de derretimento da Groenlândia, o mar pode subir até 12 m."

Veja como o desastre alteraria a cidade:

Que calor!
A temperatura do Rio deverá subir 4,8 oC até 2101, podendo chegar a 30,8 oC na média durante o verão, com máximas de 42,8 oC! O aquecimento global deverá alterar a geografia de 10% da área total do município (cerca de 118 km2, ou o equivalente a toda a Barra da Tijuca!)
Áreas de risco
Para o Instituto Pereira Passos, que cuida da cartografia da cidade, uma das áreas mais atingidas vai ser a Barra da Tijuca. Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fez um estudo que aponta outra vítima: o complexo de lagoas de Jacarepaguá, que deve desaparecer
Futevôlei vai virar biribol
A Baixada Fluminense e a região de Niterói também correm o risco de acabar submersas. A praia do Arpoador, além de enfrentar as mudanças climáticas, sofre com um vizinho: ela vem perdendo grandes quantidades de areia para o Leblon

LÁ FORA É MUITO PIOR
Em Miami, nos EUA, o caos vai rolar bem antes

Até 2026
Com o mar 20 cm mais alto (uma estimativa perfeitamente possível segundo estudiosos), 65% da rede de esgotos seria inutilizada. O sistema de água potável também sofreria
Até 2061
A cidade perde 10% de sua área e 1,5 milhão de moradores ficão desabrigados. O arquipélago de Florida Keys, a 25 km da costa, é engolido pelas águas
Até 2151
Com o mar 3 m mais alto, 91% da área urbana está arrasada. A vida na atual 11a maior economia dos EUA se torna praticamente inviável

A TRAGÉDIA SE REPETE
São Francisco tem 75% de chance de sofrer um grande terremoto até 2086

Em 1906, um abalo de 7,9 graus na escala Richter quase acabou com São Francisco, nos EUA. De seus 400 mil habitantes, 225 mil ficaram desabrigados. A história tem tudo para se repetir, com consequências piores, até 2086. Pesquisadores da Universidade da Califórnia estimam que a chance de um abalo acima de 7 graus é de 75%. "Nosso software analisou o histórico da região e a provável movimentação das placas tectônicas", diz o cientista da computação John Rundle. Associado ao baixo crescimento vegetativo da população nos últimos 50 anos, o terremoto poderia tornar o lugar uma cidade fantasma

Falha gigante
Cidade está em zona de atrito de placas tectônicas
1. São Francisco está situada entre duas das principais placas tectônicas (ou litosféricas) que compõem o planeta: a do Pacífico e a da América do Norte. A região é chamada de falha de San Andreas

Fonte:http://planetasustentavel.abril.com.br/home/

Qual será o impacto ecológico da usina Belo Monte (PA)?





Desmatamento, seca e alagamento. O projeto de Belo Monte, que prevê a barragem do rio Xingu, é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As obras começaram em março, mas a intenção de construí-la é antiga: o projeto é da década de 1980 e, desde então, é marcado por protestos que tentam barrar sua construção

Enquanto o governo afirma que ela é essencial para garantir o fornecimento de energia para o país, ambientalistas denunciam enormes impactos socioambientais. Entre os argumentos estão o desmatamento da Amazônia e o desalojamento de mais de 20 mil pessoas. Quando estiver pronta - previsão para 2015 -, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, só perdendo para a chinesa Três Gargantas e para a brasileiro-paraguaia Itaipu.

PANDORA AMAZÔNICA
Os protestos contra a construção de Belo Monte contam com o apoio de James Cameron (Titanic e Avatar), que disse ter intenção de filmar um documentário sobre a usina

AOS TRANCOS E BARRANCOS - Os dois lados de Belo Monte: o projeto da usina e os impactos ambientais na região

O projeto da usina: em obras
Com cinco pontos de construção, a usina terá um reservatório principal, um canal de derivação, um vertedouro complementar e uma casa de força. Com as obras, serão criados cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos

Impacto: sem floresta
Além da destruição da floresta associada à construção da usina, ecologistas temem que a ocupação desordenada das áreas do entorno de Belo Monte, incentivada pela chegada de migrantes e pela construção de vilas, intensifique ainda mais o desmatamento

O projeto da usina: reservatórios
A hidrelétrica terá dois lagos: os reservatórios do Xingu e dos Canais. Com a construção da barragem principal, a calha do rio será alargada. A partir do bloqueio, as águas serão desviadas para um canal
Impactos: efeito inverso
A barragem do rio Xingu causará a inundação constante dos igarapés de Altamira - e não sazonal, como de costume. Com o bloqueio do rio, um trecho de 100 km terá a vazão reduzida e pode até secar

O projeto da usina: canal de derivação
Com 130 m de largura, 20 km de extensão e 27 m de profundidade, o canal vai alterar o leito original do rio. Sua função é levar a água para a casa de força principal, onde ficam as turbinas da usina

Impactos: tchau, árvores
Segundo a ONG Conservação Internacional, nas escavações para a construção do canal serão removidos 100 milhões de m3 de material - que encheriam 40 mil piscinas olímpicas

O projeto da usina: Força total
Com 130 m de largura, 20 km de extensão e 27 m de profundidade, o canal vai alterar o leito original do rio. Sua função é levar a água para a casa de força principal, onde ficam as turbinas da usina O coração da usina irá gerar 11 mil MW - suficiente para abastecer duas cidades como São Paulo todos os dias. Uma casa de força complementar, no reservatório do Xingu, terá potência de 233 MW

Impactos: Baixa eficiência
A usina não poderá operar a todo vapor durante o ano. No período de estiagem (seis meses), ela deverá gerar, em média, 4.428 MW - contra os 11.233 MW do projeto original

• Em torno de 13 mil índios de 24 grupos étnicos que vivem às margens do Xingu terão a pesca e a navegação prejudicadas
• Enfileiradas, as piscinas atingiriam o comprimento de 2 mil km - distância equivalente a ir e voltar de São Paulo a Porto Alegre
• Em capacidade, a hidrelétrica só perderá para Itaipu, que tem 14 mil MW

Fontes - Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da Usina de Belo Monte; Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace; Painel de Especialistas: Análise do Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte; Norte Energia; www.blogbelomonte.com.br

Elefante marinho de 3,5 metros é localizado no litoral do Paraná


Segundo especialista, animal deve ter vindo do continente antártico. Última aparição de um elefante marinho no PR havia sido registrada em 1985.


O elefante marinho encontrado tem 3,5 metros e é um macho juvenil (Foto: Divulgação/UFPR)Um elefante marinho foi localizado pela Força Verde no município de Guaraqueçaba, Litoral do Paraná. O animal, de 3,5 metros, é um macho juvenil da espécie Mirounga Leonina. Ao G1, o Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) informou que o elefante chegou ao Paraná vindo do sul – possivelmente dos mares do continente antártico.

Apesar de serem raras as aparições desse tipo de animal no Brasil, especialistas do Centro de Estudos do Mar afirmam que pelo menos outros dois elefantes marinhos já foram vistos no Paraná. No entanto, a última aparição havia sido registrada em 1985, segundo dados informados pela UFPR.

Após ter uma secreção nasal tratada pelos profissionais do Centro de Estudos do Mar, o animal voltou ao alto mar, tendo sido visto pela última vez no dia 16 de julho.



Fonte: g1.globo.com

Barco de pesca com 357 tubarões é encontrado nas Ilhas Galápagos

Prática criminosa foi divulgada nesta sexta-feira pelo governo do Equador. Matança seria a maior dos últimos anos e 26 pessoas foram detidas.

Uma operação realizada nas Ilhas Galápagos, a 1.000 km da costa do Equador, encontrou em uma embarcação 357 tubarões que foram pescados ilegalmente na área protegida. A apreensão seria a maior dos últimos anos e teria ocorrido na última quarta-feira (20), porém, divulgada pelas autoridades do país apenas nesta sexta-feira (22).

De acordo com Rosa León, porta-voz do parque, durante a ação policial foram detidas 26 pessoas consideradas responsáveis pela matança, entre elas dois menores de idade. Os detidos poderão ser condenados à prisão, multas e confisco do navio e dos equipamentos de pesca.


Parte de Galápagos, conjunto de ilhas que fica a 1.000 km de distância da costa do Equador (Foto: Rede Globo)Na pesca, o grupo utilizava o espinhel, um longo fio de nylon repleto de ganchos, prática proibida na reserva marinha. León afirmou que os tubarões estavam nos porões do navio equatoriano Fer Mary I quando foi interceptado pela polícia na última quarta-feira.

Foram encontrados 286 exemplares de tubarão-raposa, 22 animais do tipo azul, 40 espécimes de tubarão-de-Galápagos e outros seis tubarões-martelo.

A ilha de Galápagos é uma reserva marinha onde é proibida a captura e comercialização de espécies. O local é considerado patrimônio natural desde 1979.

Fonte: g1.globo.com

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vítima de caça, filhote de peixe-boi é resgatado de cativeiro no Amazonas



Animal tem um mês de vida e foi encontrado a 68 km de Manaus. Mamífero foi encaminhado a instituto para receber cuidados médicos.

Um filhote de peixe-boi, com aproximadamente um mês de vida, foi resgatado por policiais após ser encontrado mantido em cativeiro na cidade de Manacapuru, no interior do Amazonas.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sediado em Manaus, o animal foi encontrado nesta quarta-feira (20) e foi vítima de caça ilegal. O peixe-boi é uma fêmea e estava na comunidade São Sebastião, um bairro da zona rural de Manacapuru, a 68 km de distância da capital amazonense. Segundo o iInpa, é o 10º filhote resgatado desde janeiro no estado e apresentava sinais de maus-tratos. A pesca do peixe-boi é ilegal e está sujeita à prisão.

O filhote foi encaminhado ao laboratório de mamíferos aquáticos do instituto, onde recebeu alimentação de técnicos e passará por tratamento médico.

Resgate
No último dia 15, um outro filhote foi encontrado na mesma região por policiais e agentes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa).

Segundo a organização ambiental que trabalha contra a caça ilegal da espécie, o período considerado crítico para estes mamíferos está próximo de começar, devido à seca nos rios do Amazonas. Entre agosto e dezembro, a redução do nível da água expõe o peixe-boi, facilitando a pesca. Os trabalhos de prevenção contra este crime ambiental serão reforçados na região.

Ameaçado de extinção, a carne do animal é utilizada para a culinária local. O prato Mixira, palavra na língua indígena para mistura, pode ser encontrado de maneira clandestina em mercados populares da capital e das cidades do interior.

Fonte: g1.globo.com

Tubarão de 500 kg pula dentro de barco na África do Sul




Um tubarão branco de 500 kg e três metros de comprimento conseguiu pular dentro de um barco de pesquisa na África do Sul, na última segunda-feira (18).

O fato ocorreu enquanto pesquisadores da vida marinha trabalhavam na cidade costeira de Mossel Bay, no sudeste do país, em um projeto que visa identificar tubarões brancos e analisar as populações da espécie na África do Sul.

A especialista de campo Dorien Schroder e outros seis tripulantes atiravam sardinhas ao mar para atrair tubarões e, desta forma, fazer fotos de suas barbatanas dorsais para identificar cada um deles e estimar quantos tubarões vivem na baía da região.

'Geralmente, quando fazemos isto, um certo número de tubarões fica em volta do barco', disse à BBC Schroder, que faz pesquisas para a organização Oceans Research, como parte do Projeto Grande Tubarão Branco.

'Foi quando ouvi um barulho e, quando me virei, um grande tubarão branco estava no ar, logo acima de uma das minhas estagiárias.'

Schroder conta que, 'por sorte, a estagiária deu um passo em minha direção', e, devido a isso, o tubarão não caiu em cima dela.



'Mais tarde, ela me disse que pensou que eu saberia o que fazer, e por isso foi na minha direção.'

Ajuda
A pesquisadora agarrou a estagiária pela camiseta e a levou até outra parte do barco.

O tubarão, por sua vez, caiu e inicialmente ficou com metade do corpo dentro do barco. Mas, segundo Schroder, 'devido ao fato de os tubarões apenas de moverem para frente, ele entrou totalmente no barco'.


'E, claro, ele estava em pânico, não pensou que cairia no barco, (o tubarão) pensou que cairia na água. Então ele ficou se debatendo', disse.

'Todos os estagiários foram para outra parte do barco e nós esperamos o tubarão se acalmar para fazermos alguma coisa', afirmou.

No entanto, devido ao peso do tubarão, Dorien e os estagiários tiveram de pedir ajuda para tirá-lo do barco. Pelo rádio, a pesquisadora chamou outros dois cientistas da Oceans Research que estavam em terra, e um dos diretores da organização, Ryan Johnson, foi para o local.

'Nós recebemos um pedido de socorro pelo rádio, da Dorien, fomos até lá e, em quatro pessoas, esperávamos tirar o tubarão (do barco). Mas, quando chegamos lá e vimos a situação, percebemos que não ia ser assim: ele tinha três metros e 500 kg e queria morder', disse Johnson à BBC.

'Depois de algumas tentativas de jogar ele de volta ao mar, entramos em contato com as autoridades portuárias e pedimos ajuda (para tirar o tubarão do barco).'

O cientista afirma que deve ter sido uma 'experiência incrivelmente estressante para o tubarão' e diz que os cientistas tentaram jogar água no tubarão durante todo o tempo.

Segundo Johnson, depois de conseguir mais ajuda junto a um barco de pesca, o tubarão foi retirado do barco pela cauda, pendurado em cordas.

Desorientado
O diretor da Ocean Research diz que o tubarão estava desorientado e estressado devido à experiência dentro do barco.

'Devido ao estresse que ele passou, ele nadou pela baía, que era um lugar estranho para ele), e em direção à praia', afirma Johnson.

Os cientistas foram então para a água, a fim de tentar ajudar o tubarão a sair da praia. Depois de algumas tentativas sem sucesso, eles decidiram amarrar o animal em um dos barcos e levá-lo ao mar, onde ele foi solto.

Schroder disse à BBC que, depois do encontro com o grande tubarão, o barco já está de volta à água.

'Algumas coisas se quebraram, a fibra de vidro se rompeu quando o tubarão caiu lá, mas consertamos no mesmo dia e ele (o barco) já voltou para a água', disse.

Fonte:g1.globo.com

Tartaruga recebe prótese após ter pata com infecção amputada

Animal foi operado em universidade dos Estados Unidos. Peça implantada vai ajudar na locomoção da tartaruga.



Imagem divulgada pela Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos, mostra uma tartaruga de 12 anos exibindo uma prótese implantada no lugar de uma de suas patas. Gamera, nome dado ao animal, sofreu intervenção cirúrgica para implantar a peça depois que a pata esquerda dianteira foi amputada devido a uma infecção. A tartaruga está na cidade de Pullman, em Washington. (Foto: Henry Moore/AP)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por usinas, governo vai reduzir áreas de proteção na Amazônia

O governo vai reduzir sete unidades de conservação na Amazônia para permitir a construção de seis hidrelétricas --uma delas seria a quarta maior do país.

O palco da nova investida energética do Planalto é o vale dos rios Tapajós e Jamanxim, no Pará, uma das áreas mais preservadas e mais biodiversas da floresta.

O movimento acontece num momento em que o Brasil sofre pressão internacional por causa do aumento no desmatamento, relacionado ao Código Florestal, e do licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu.

Segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade), a ideia é ter um projeto de lei ou Medida Provisória determinando a redução das áreas protegidas até agosto.



Documentos internos do instituto, obtidos pela Folha, mostram que a proposta foi feita sem estudos técnicos e tem oposição unânime dos chefes das unidades.

Segundo eles, as usinas alagariam 3.200 km² (duas vezes a área da cidade de São Paulo). Sua instalação subverteria a razão de ser das unidades de conservação.

LAGOS

O pedido de redução foi feito em janeiro pela Eletronorte. A estatal entregou ao ICMBio mapas com as partes das áreas protegidas que serão alagadas pelos reservatórios.

A megausina de São Luiz do Tapajós, a principal do complexo, terá 6.133 megawatts, quase a potência somada de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira.

Seu lago deve atingir parte do parque nacional da Amazônia, o mais antigo da região Norte, e das Flonas (Florestas Nacionais) de Itaituba 1 e 2. A segunda maior usina do complexo, Jatobá, terá 2.338 megawatts e alagará parte da Flona Itaituba 1.

SEM ESTUDO

Os parques integram o mosaico de unidades de conservação da BR-163, criado pela então ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, em 2005 para conter o desmatamento e a grilagem de terras na região. É o maior conjunto de áreas protegidas do país. A maioria não possui estudos detalhados de biodiversidade.

Os chefes das áreas protegidas afirmam que a proposta de redução da Eletronorte foi feita "na caneta", sem estudo técnico nem ambiental.

O mapa elaborado pela estatal da área a ser alagada no parque nacional da Amazônia, por exemplo, inclui um trecho da Transamazônica, que teria de ter seu traçado refeito --passando por dentro do parque.

Procurado pela Folha, o presidente do ICMBio, Rômulo Mello, disse que as reduções estão sendo discutidas e ainda não têm aval do instituto. Ele afirmou, porém, que a redução dos parques não é nenhuma surpresa.

"Quando as UCs[unidades de conservação] foram criadas, já havia acordo entre os ministérios" sobre os estudos para a construção das usinas. A Eletronorte afirmou, por meio da assessoria, que não pode se manifestar sobre o tema, pois o assunto está em discussão na Presidência. O Ministério de Minas e Energia não havia se pronunciado até o fechamento desta edição.

Fonte:www.folha.uol.com.br

¨Posso não entender muito sobre o fornecimento de energia do país nem sobre os motivos que levam os governantes a tomarem essa decisão, mas por que enquanto todo o resto do mundo esta pensando em formas de preservação e melhora do meio ambiente e da situação atual o BRASIL esta pensando em desmatar e destruir áres que já são de preservação e que custaram muito para serem.¨

Recifes de Coral e o chamado ''Branqueamento''



Uma associação extremamente importante para os recifes-de-coral é a simbiose que ocorre entre as espécies de corais e microalgas conhecidas como zooxantelas. Essas algas vivem no interior dos tecidos dos corais construtores dos recifes, realizando fotossíntese e liberando para os corais compostos orgânicos nutritivos. Por sua vez, as zooxantelas sobrevivem e crescem utilizando os produtos gerados pelo metabolismo do coral, como gás carbônico, compostos nitrogenados e fósforo. As necessidades nutricionais dos corais são em grande parte supridas pelas zooxantelas. Elas estão também envolvidas na secreção de cálcio e formação do esqueleto do coral. Apesar de espécies de corais serem encontradas praticamente em todos os oceanos e latitudes, as espécies construtoras de recifes (corais hermatípicos) estão restritas às regiões tropicais e subtropicais. Os recifes necessitam, geralmente, de águas quentes (25 – 30oC) e claras, longe da influência de água doce. A poluição (esgoto doméstico, vazamento de petróleo etc.) e sedimentação (sedimentos terrígenos levados para o mar devido ao desmatamento e movimentações de terra) põem em risco muitos recifes de corais, incluindo os inúmeros outros organismos que deles dependem (inclusive comunidades humanas que vivem da pesca e coleta de animais marinhos recifais).

Um fenômeno aparentemente recente – não ainda totalmente compreendido pelos pesquisadores – que tem ocorrido em todas as regiões recifais do globo de forma maciça é o branqueamento (do inglês ‘bleaching’). Trata-se basicamente da ‘perda’ dos organismos fotossimbiontes (zooxantelas) presentes nos tecidos do coral (zooxantelas ocorrem também em outros cnidários, como anêmonas-do-mar, zooantídeos, medusas , e em outros invertebrados, como ascídias, esponjas, moluscos etc., que também podem branquear). Como a cor da maioria dos hospedeiros advém, em grande parte, da ‘alga’ simbionte, seus tecidos tornam-se pálidos ou brancos. Nos corais, os tecidos ficam praticamente transparentes, revelando o esqueleto branco subjacente.

Geralmente, os tecidos de colônias branqueadas estão vivos e intactos. Entretanto, a ausência das ‘algas’ simbiontes implica em 1) ‘jejum’ compulsório ao hospedeiro, uma vez que as algas simbiontes suprem a maior parte das necessidades nutricionais do hospedeiro (até mais de 60% do carbono fixado na fotossíntese pode ser translocado da alga para o hospedeiro na forma de glicerol), e 2) diminuição das taxas de calcificação. Portanto, as partes moles e o esqueleto de um coral branqueado não crescem, e a colônia fica mais vulnerável a outros possíveis estresses, como poluição, sedimentação excessiva, colonização por macroalgas do esqueleto eventualmente exposto etc. Apesar de tudo, as colônias branqueadas podem recuperar completamente, em poucos dias ou até mais de um ano, a coloração, dependendo da espécie e do grau de branqueamento. Do mesmo modo, dependendo da espécie, intensidade e duração do estresse, a morte de parte, ou de toda, colônia pode ocorrer logo em seguida ao inicio do branqueamento, ou mesmo algum tempo depois (semanas ou meses). Nestes casos, o esqueleto será rapidamente recoberto por algas e animais sésseis, perdendo a cor branca.


Imagem: Palythoa caribaeorum (zoantídeo) *Note a parte não branqueada, de cor marrom
à direita.


Há uma diversidade relativamente grande de organismos endossimbiontes fotossintetisantes (Dinoflagellata, Chlorophyta, cianobactérias, Bacillariophyaceae, Crysophyta) encontrados em associação com invertebrados marinhos (esponjas, medusas, anêmonas, corais, hidrozoários, moluscos, turbelários, ascídias etc.). As ‘algas’, cuja densidade em corais chega a 106/cm2, provêem carbono para o metabolismo, o crescimento e a reprodução, reciclando eficientemente, também, os excretas (nitrogênio, fósforo) do hospedeiro. Corais hermatípicos depositam carbonato de cálcio mais rapidamente que os ahermatípicos, porque as algas criam um ambiente químico propício à cristalização e precipitação.

Antes de 1980, todos os casos de branqueamento conhecidos eram de extensão geograficamente limitada e causados por estresses claramente locais, geralmente em áreas de circulação restrita ou em recifes atingidos por furacões. Eventos de larga escala, são conhecidos apenas após o início da década de 1980, e desde então têm se tornado mais freqüentes e intensos. Provavelmente o primeiro evento de ocorrência praticamente cosmopolita ocorreu em 1980, afetando todo o Caribe e regiões vizinhas, e grandes áreas do Pacífico. Eventos de grande amplitude ocorreram em 1982/83, 1987/88, e 1993/94; outros, um pouco menores, em 1981, 1986, 1989, 1990. No Brasil, o fenômeno só foi registrado no verão de 1994 (São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco) e observado novamente no início de 1996 (São Sebastião), afetando principalmente o coral Mussismilia hispida e o zoantídeo Palythoa caribaeorum.

O branqueamento agudo é uma resposta a um estresse resultante de várias condições ambientais fora do limite normal de um determinado local. Os estímulos indutivos podem ser:

1) temperatura anormalmente alta ou baixa: quando se considera variações bruscas de temperatura, os corais são mais vulneráveis ao aquecimento do que ao resfriamento da água. Muitas espécies vivem aparentemente próximas ao limite superior letal de temperatura. O aumento de temperatura resulta num aumento da atividade fotossintetizante dos simbiontes e, conseqüentemente, numa alta concentração de oxigênio nos tecidos do hospedeiro. Isto causa um aumento nas taxas metabólicas do coral (organismos metabólico-conformadores) e aumento nas formas tóxicas do oxigênio (peróxidos), que podem danificar as células do hospedeiro e interferir nas vias bioquímicas. O branqueamento geralmente ocorre após um período cuja temperatura superficial da água do mar se eleva alguns graus acima da média histórica para aquele determinado período e local. Exposição a temperaturas 4 a 5 ºC acima da média, por 1 a 2 dias, pode ser suficiente para causar branqueamento e alta mortalidade, enquanto que a elevação de 2 a 3 ºC, e o mesmo tempo de exposição, leva a um branqueamento gradual e menor mortalidade. O branqueamento têm ocorrido em áreas aquecidas pelo fenômeno ‘El Niño’, mas também em locais e/ou anos não afetados por ele.

2) turbidez (níveis baixos de radiação solar): porque as ‘algas’ simbiontes necessitam de luz para a fotossíntese, as comunidades recifais estão limitadas à águas rasas. As taxas máximas de acresção e produtividade ocorrem entre 5 e 15 metros. Esse intervalo pode ser reduzido em locais onde a claridade da água é afetada por sedimentos em suspensão ou pelo aumento de produtividade. Associado à turbidez, altos níveis de sedimentação podem ‘sufocar’ as colônias, diminuindo seu
crescimento e inibindo o recrutamento de larvas.

3) altos níveis de radiação UV: a radiação ultravioleta é capaz de danificar o material genético de todos os organismos; em condições experimentais causa branqueamento em corais. Apesar disto e de poder penetrar consideravelmente na coluna d’água (até cerca de 20 m em águas claras), alguns autores acham improvável que o UV seja uma causa importante de branqueamento em condições naturais, porque os corais contêm altos teores de pigmentos protetores, que se mantêm mesmo após o branqueamento. Além disso, corais branqueados são geralmente vistos bem abaixo do limite de penetração da luz UV. Entretanto, uma vez que as condições de insolação que elevam a temperatura dos oceanos incluem também o comprimento de onda ultravioleta, é difícil separar os efeitos destes dois fatores. Não se sabe, também, como a incidência da radiação ultravioleta vai aumentar, e se os mecanismos naturais serão suficientes para a proteção adequada dos organismos potencialmente afetados.

4) poluição: os recifes de corais se desenvolvem em regiões de águas oligotróficas [a ocorrência de recifes diminui ao longo de um gradiente oligotrófico(oceânico)/eutrófico (estuários/ressurgência/poluição)]. Eles necessitam de poucos nutrientes externos, porque possuem mecanismos internos eficientes de reciclagem de nutrientes entre si e as zooxantelas. Recifes sujeitos a altos níveis de nutrientes se deterioram devido ao aumento da turbidez decorrente da maior densidade de planctontes, e crescimento excessivo de algas filamentosas bentônicas (que nessas condições são competivamente superiores aos corais), briozoários e cracas, que acaba por afetar o recrutamento dos corais e aumentar a bioerosão.


Imagem: Colônia de Mussimilia hispida(branqueada)

Estudos recentes, entretanto, indicam que o aumento de temperatura da água do mar seria o causador primário do branqueamento em larga escala, e, secundariamente, o aumento da incidência de radiação UV.
Isto levou à hipótese de que os recifes de corais seriam particularmente sensíveis e vulneráveis ao aquecimento global. Há, entretanto, controvérsia se os ecossistemas recifais como um todo têm sofrido estresse climático, porque uma série de outros estresses locais causam potencialmente bleaching, podendo atuar sinergicamente com a temperatura (caso do UV, por exemplo). Não se sabe também se o branqueamento é realmente um fenômeno recente, e se em nível sub-letal é patológico ou um mecanismo adaptivo. De qualquer forma muitos pesquisadores acreditam que os recifes de coral atuariam como indicadores do aquecimento global, através do branqueamento maciço. Mundialmente, os recifes têm sido seriamente ameaçados pela atividade antropogênica: destruição física propriamente dita, sedimentação, poluição, pesca predatória, coleta etc.

O clima é comumente visto como algo estável, mesmo considerando-se as variações sazonais e de curto prazo. Entretanto, tem variado substancialmente no passado, sendo previstas mudanças no futuro próximo, particularmente como resultado da atividade humana com relação à composição dos gases da atmosfera. Ao longo de sua evolução, os recifes de coral passaram por mudanças drásticas de clima, e se espera que sejam capazes de sobreviver futuros eventos deste tipo (os cenários previstos são menos extremos que os sofridos em eras passadas). Mas a combinação destas mudanças climáticas com os atuais estresses pode se mostrar letal para muitos ecossistemas recifais.

As mudanças climáticas que já estão ocorrendo, particularmente na atmosfera mas também nos continentes e oceanos, são parte do crescente impacto humano no ambiente planetário. O efeito estufa (apesar de ser um processo natural que possibilitou a evolução da vida na terra, o equilíbrio natural dos gases estufa tem sido modificado artificial e rapidamente pela humanidade) e o buraco de ozônio poderão afetar os recifes de coral de várias maneiras:

1) aumento da temperatura devido ao efeito estufa: a temperatura global deverá aumentar entre 0,16-0,37 ºC por década, resultando num aumento global de 0,5-1 ºC por volta de 2030. Deve-se levar em conta que o aumento será maior nas latitudes altas e em terra. Este aumento não deverá ameaçar a sobrevivência dos recifes, mas os freqüentes episódios de picos extremos de temperatura aumentará a incidência de branqueamento e mortalidade, tornado-os vulneráveis a outros estresses.

2) aumento do nível do mar associado ao aumento de temperatura: provavelmente o nível do mar subirá de 1-9 cm/década, devendo-se esperar um aumento entre 15 e 90 cm até o ano 2100. Estes valores não devem ameaçar a maioria dos ecossistemas recifais (a taxa de deposição de carbonato de cálcio é de cerca de 10 kg/m2/ano, o que significa um crescimento de 3-8 mm por ano), mas poderá devastar muitas ilhas e planícies costeiras que são protegidas por recifes, incluindo nações inteiras (insulares) e grandes cidades, tornando a vida dos que dependem dos recifes difícil ou impossível.

3) alterações nos padrões normais do clima e variações em eventos climáticos extremos - precipitação, nuvens e ventos: deverão ocorrer mudanças no padrão de chuvas, aumento na amplitude geográfica, freqüência e intensidade das tempestades tropicais, e nos eventos de seca e inundações. Conseqüentemente, grandes mudanças deverão ocorrer nas regiões costeiras em termos de erosão e sedimentação.

4) mudanças na química da água do mar devido altas concentrações de CO2: acarretará mudanças de pH e do estado de saturação dos carbonatos nos oceanos. O aumento da acidez das águas superficiais, devido à maior concentração do ácido carbônico, poderá diminuir as taxas de deposição de carbonato de cálcio pelos corais, afetando o crescimento. Por outro lado, deverá estimular o crescimento e aumento populacional de muitas algas, afetando a relação competitiva entre elas e os corais.

Fonte:http://200.144.190.194/cbm/index.php

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sacolas Plásticas na Mira



Calcula-se que 14 bilhões de sacolinhas sejam distribuídas nos estabelecimentos comerciais do país a cada ano - para então serem descartadas pelos fregueses e se transformarem em um dos mais danosos elementos da poluição ambiental

Antiecológicas da matéria-prima ao processo de produção, elas levam ainda centenas de anos para se degradar. Criam montanhas nos aterros sanitários, entopem córregos e transformam mares em lixões. Por isso, várias cidades estão abrindo guerra contra as sacolas plásticas e criando leis que limitam ou proíbem seu uso no comércio. No início de 2012, deve ser a vez de São Paulo, com regras que prometem mudar a rotina dos consumidores. Os detalhes da regulamentação serão definidos nos próximos meses.

Mas, por enquanto, além de banir a venda e a distribuição dessas pestes, o texto da lei proíbe que fabricantes imprimam nelas frases sobre supostas vantagens ecológicas.

Isso porque existem embalagens feitas de materiais renováveis, como cana-de-açúcar e milho, que seriam, assim, mais sustentáveis. Mas ainda há informação escondida nas entrelinhas. "Matéria-prima renovável não é garantia de um produto biodegradável", explica o engenheiro químico Helio Wiebeck, da Universidade de São Paulo. Entenda a polêmica, e como ela vai afetar seu dia a dia.

SACOLAS PLÁSTICAS PODEM SER ECOLÓGICAS?
Em algumas regiões do país, as embalagens convencionais foram substituídas por sacolas feitas com plástico que causaria menor impacto ambiental:

Polietileno verde
O que é: desenvolvido com derivado da cana-de-açúcar, matéria-prima 100% renovável
Na verdade... embora a planta tenha a vantagem de captar gás carbônico - ao contrário do que acontece quando se extrai o petróleo -, o plástico não é biodegradável, ou seja, pode permanecer intacto na natureza por séculos

Plástico biodegradável
O que é: em geral, o produto é feito à base de amido de milho ou outro material renovável
Na verdade... embora seja de fato biodegradável (ele se decompõe em até 180 dias por ação de microrganismos, sem resultar em resíduos químicos nocivos), requer condições muito específicas de umidade e concentração de oxigênio para se decompor. Nos aterros, o que acontece é a liberação de gás metano, ligado ao efeito estufa

Oxibiodegradável
O que é: feito de derivados do petróleo, esse plástico leva em sua composição um aditivo químico que teria a função de acelerar a degradação da embalagem

Na verdade... o aditivo serve apenas para fragmentar a molécula plástica, mas não evita que o processo deixe resíduos. Dispersas, as micropartículas podem contaminar o solo, as lavouras e os lençóis freáticos

RESTRINGIR O USO DE SACOLAS PLÁSTICAS TEM IMPACTO SIGNIFICATIVO NO AMBIENTE?

Sim, pois atualmente não há uso consciente nem descarte adequado desse tipo de embalagem. Embora fabricadas com material reciclável, estima-se que oito em cada dez sacolas plásticas sejam usadas como saco de lixo e, assim, tenham como destino os aterros sanitários. "Estimular o uso de embalagens duráveis é a principal vantagem dessas medidas, pois uma sociedade sustentável não pode se desenvolver com base em produtos descartáveis", diz Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo

Consciente. Em Belo Horizonte, depois que a lei que restringe o uso das sacolas
plásticas entrou em vigor, em abril deste ano, 75% dos consumidores passaram a levar ao supermercado suas próprias sacolas reutilizáveis.

Governo vai reavaliar construção de usinas nucleares



O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou hoje (1º) que a decisão de construir mais quatro usinas nucleares no Brasil está sendo reavaliada pelo governo. "Essa previsão está sendo reavaliada pelo Ministério de Minas e Energia e Conselho Nacional de Política Energética [CNPE]. Com o episódio no Japão [em março, quando terremoto e tsunami provocaram um dos mais graves acidentes nucleares da história], tomei a iniciativa de determinar uma reavaliação da segurança. Não estamos submetendo aquilo que já existe, as duas em funcionamento e a terceira em construção [todas em Angra dos Reis]", disse.

A exemplo do que fez na época do acidente nuclear em Fukushima, no Japão, o ministro afirmou que as usinas em funcionamento hoje no Brasil (Angras 1 e 2) estão entre as mais seguras do planeta. "As nossas estão entre as melhores e mais seguras e produtivas do mundo. As quatro que estão planejadas poderão ser construídas ou reavaliadas".

Fonte:http://planetasustentavel.abril.com.br

Curiosidade: Bactéria torna fonte termal nos EUA em atração; veja foto



A fonte termal Morning Glory, que fica no Parque Nacional de Yellowstone (EUA), atrai turistas pela sua particular coloração em tons de marrom, laranja e amarelo. O efeito é provocado por uma bactéria.

O Yellowstone está localizado no Estado de Wyoming, mas se prolonga para Montana e Idaho.

Criado por decreto em 1872, foi o primeiro parque nacional do mundo e se tornou conhecido pelos gêisers.

Fonte: www.folha.uol.com.br

Cientistas confinam antimatéria durante 16 minutos



A antimatéria, estranha "irmã gêmea" da matéria normal que compõe estrelas, rochas e pessoas, é tão arisca que o mais difícil não é nem pegá-la. Complicado mesmo é mantê-la presa. Mas um grupo internacional de cientistas, incluindo brasileiros, acaba de anunciar que manteve átomos de antimatéria confinados por 16 minutos.

O sucesso da equipe, cuja armadilha de antimatéria está localizada no Cern (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), Suíça, deve ajudar os físicos a investigarem as principais diferenças entre partículas de matéria e suas contrapartes de antimatéria.

Por ora, a novidade é mesmo o aprisionamento de longo período. "A gente não consegue medir nada do átomo, só a velocidade e a energia de aprisionamento", explica Claudio Lenz Cesar, pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e um dos autores do estudo.

O grupo já havia prendido anti-hidrogênio antes, no ano passado, mas por apenas pouco mais de um décimo de segundo. O salto para mil segundos (um aumento de 5.000 vezes no tempo de captura) rendeu a publicação na revista "Nature Physics".

A antimatéria, estranha "irmã gêmea" da matéria normal que compõe estrelas, rochas e pessoas, é tão arisca que o mais difícil não é nem pegá-la. Complicado mesmo é mantê-la presa. Mas um grupo internacional de cientistas, incluindo brasileiros, acaba de anunciar que manteve átomos de antimatéria confinados por 16 minutos.

O sucesso da equipe, cuja armadilha de antimatéria está localizada no Cern (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), Suíça, deve ajudar os físicos a investigarem as principais diferenças entre partículas de matéria e suas contrapartes de antimatéria.

Por ora, a novidade é mesmo o aprisionamento de longo período. "A gente não consegue medir nada do átomo, só a velocidade e a energia de aprisionamento", explica Claudio Lenz Cesar, pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e um dos autores do estudo.

O grupo já havia prendido anti-hidrogênio antes, no ano passado, mas por apenas pouco mais de um décimo de segundo. O salto para mil segundos (um aumento de 5.000 vezes no tempo de captura) rendeu a publicação na revista "Nature Physics".

PRÓXIMO PASSO
O próximo passo é descobrir mais sobre essas criaturas ariscas. "Em breve, vamos fazê-los interagir com micro-ondas, o que daria uma primeira ideia de seus níveis internos de energia", diz Cesar.

Praticamente não há antipartículas flutuando por aí, esperando para ser detectadas. Dessa forma, todos os átomos de hidrogênio que podemos colher na natureza, como os que compõem a água, por exemplo, são feitos de um próton positivo no núcleo e de um elétron negativo girando ao redor dele.

Ocorre que previsões teóricas sugeriam que, para o mundo das partículas fazer sentido, deveriam existir contrapartes dos átomos convencionais, feitos de prótons negativos (ou antiprótons) e elétrons positivos (ou pósitrons).

Com efeito, experimentos em aceleradores de partículas demonstraram que a antimatéria, embora não estivesse disponível, podia ser criada em laboratório. Só que há uma pegadinha: sempre que matéria e antimatéria se encontram, o resultado é a aniquilação de ambas, com liberação de energia.

Como guardar antipartículas com recipientes feitos de materiais que as destruiriam? O segredo é usar campos magnéticos. Com eles, é possível aprisionar sem encostar.

Essa é a estratégia que tem sido usada com muito sucesso já há mais de uma década para prender antipartículas. Se você quer conter um monte de antiprótons, basta impor um campo magnético ao redor dele e pronto.

Mas capturar antiátomos inteiros é bem mais complicado. Isso porque as cargas dos pósitrons ao redor cancelam as dos antiprótons no núcleo, deixando o átomo como um todo num estado neutro, bem menos sujeito à ação dos campos magnéticos.

É preciso uma sintonia muito sutil, tanto do campo usado como da velocidade e da energia contida nos antiátomos formados, para que eles se mantenham aprisionados. Com o mais novo avanço, o grupo integrado por Cesar já mostrou que pegou o jeito da coisa.

Fonte: www.folha.uol.com.br

Sacola plástica melhora nível de vida em povoado no Camboja


Imagem: Um exemplo de bolsa feita com sacola plástica.
Recolher sacolas de plástico para transformá-las em bolsas, chapéus e outros acessórios ajudou um pequeno povoado do Camboja a melhorar seu nível de vida e, ao mesmo tempo, limpar o lixo da comunidade.

Chamcar Bei, povoado com cerca de 4.000 habitantes, localizado na província litorânea de Kep, é um dos poucos lugares do país onde quase não se vê lixo acumulado, já que a maioria dos resíduos vale dinheiro.

A população de um dos últimos redutos do antigo regime do Khmer Vermelho viveu durante décadas sob a linha da pobreza e com a pecuária e o arroz como praticamente únicos pilares da economia.

Esse cenário era até 2008, quando chegou a ONG britânica Funky Junk, que ofereceu aos moradores um pagamento a quem recolhesse sacolas plásticas.

"Pensamos qual era o maior problema da poluição e, sem dúvida, eram as sacolas, já que as pessoas as atiravam para qualquer lado", explica Sob Misy, um dos líderes da Funky Junk, à agência de notícias Efe.

Garrafas, metal e madeira já eram comprados por outros comerciantes, mas o restante, não.

Agora, os moradores guardam cuidadosamente suas sacolas de plástico em cestas até que tenham uma quantidade suficiente para vender. O restante do lixo é queimado, apesar de alguns resíduos ainda ficarem pelas ruas.

"Ainda não entenderam que o pequeno lixo também deve ser apanhado, apesar de não o reciclarmos. Nem todos fazem isso", explicou Misy.

A Funky Junk compra cerca de 160 quilos de sacolas plásticas a cada mês, mas o povo não gera a quantidade suficiente, por isso a limpeza se estendeu para cidades próximas, como a capital provincial, Kep.

Uma vez recolhidas, as sacolas são lavadas e cortadas em tiras, para serem transformadas em uma pequena oficina que emprega uma dezena de costureiras.

Depois, as tiras plásticas viram acessórios como gorros, bolsas, além de cestas de diferentes tamanhos que são vendidas em lugares turísticos ou pela internet.

Hein Pove e seus quatro filhos, por exemplo, viviam antes do arroz que cultivavam em uma área de dez metros quadrados.

"Naquela época não tínhamos dinheiro para comer nada de manhã. A terra dava muito pouco", conta a mulher de 33 anos.

Há cinco anos, Pove aprendeu a costurar plástico e trabalha cinco dias por semana na oficina, atividade que lhe garante até US$ 70 mensais (R$ 110). Ela também utiliza os coloridos cestos que cria para recolher o lixo em sua casa ou como vaso para as flores e plantas do jardim.

"Agora nos preocupamos com o lixo, não só para vender resíduos, mas porque assim as crianças ficam menos doentes", afirmou.

Na casa de Mou Earn, ainda se pode ver a quantidade de lixo acumulado que vai sendo queimado pouco a pouco em um canto do jardim.

As frutas que sua mãe vendia e o arroz colhido a cada ano não garantiam a alimentação dos oito membros de sua família. Com isso, acabaram se interessando pela reciclagem.

"Conseguimos dinheiro fácil recolhendo as sacolas de plástico. Mas o trabalho de costura é mais estável", disse.

Earn é um dos que mais conscientizaram os moradores para que recolhessem o lixo. "Digo a eles que precisam recolher o lixo, mas não me custa muito convencê-los. Estão contentes de ver as ruas limpas", declarou.

No entanto, segundo um recente estudo do Ministério do Meio Ambiente, apenas 1,5% dos cambojanos acredita que é necessário manter as comunidades limpas para a luta contra o impacto da mudança climática.

Fonte: www.folha.com